2 de novembro de 2011

Almada Negreiros

«Nós não somos do século de inventar as palavras. Nós somos do século de inventar outra vez as palavras que já foram inventadas.»

1 de novembro de 2011

Com palavras

Com palavras me ergo em cada dia!
Com palavras lavo, nas manhãs, o rosto
E saio para a rua.
Com palavras — inaudíveis — grito
Para rasgar os risos que nos cercam.

Ah!, de palavras estamos todos cheios.
Possuímos arquivos, sabemo-las de cor
Em quatro ou cinco línguas.
Tomamo-las à noite em comprimidos
Para dormir o cansaço.

As palavras embrulham-se na língua.
As mais puras transformam-se, violáceas,
Roxas de silêncio. De que servem
Asfixiadas em saliva, prisioneiras?

Possuímos, das palavras, as mais belas;
As que seivam o amor, a liberdade…
Engulo-as perguntando-me se um dia
As poderei navegar; se alguma vez
Dilatarei o pulmão que as encerra.

Atravessa-nos um rio de palavras:
Com elas eu me deito, me levanto,
E faltam-me palavras para contar…

Egito Gonçalves

27 de outubro de 2011

Conselho

Cerca de grandes muros quem te sonhas.
Depois,onde é visível o jardim
Através do portão de grade dada,
Põe quantas flores são os mais risonhas,
Para que te conheçam só assim.
Onde ninguém o vir não nada.

Faz canteiros como os que outros têm,
Onde os olhares possam entrever
O teu jardim como lho vais mostrar.
Mas onde és teu,e nunca o vê ninguém,
Deixa as flores que vêm do chão crescer
E deixa as ervas naturais medrar.

Faz de ti um duplo ser guardado;
E que ninguém; que veja e fite, possa
Saber mais que um jardim de quem tu és-
Um jardim mais ostensivo e reservado,
Por trás do qual a flor nativa roça
A erva tão pobre que nem tu a vês...


Fernando Pessoa

«o poema inicia-se pela introdução de um símbolo: o jardim, que representa o "eu". Pessoa diz-nos que devemos cercar de grandes muros quem nos sonhamos. Ou seja, o nosso interior, o nosso sonho de nós mesmos nunca deve ser revelado aos outros. O exterior deve ser feito só de "flores (...) mais risonhas / Para que te conheçam só assim". Aqui Pessoa pretende dar a conhecer a sua opinião sobre como devemos revelar aos outros em nosso redor quem verdadeiramente somos.
A segunda estrofe reforça a entrada feita pela primeira estrofe: devemos tentar passar despercebidos no mundo exterior, para que ninguém ponha em causa os nossos sonhos. É por isso que ele diz: "Faz canteiros como os que outros têm, / Onde os olhares possam entrever / O teu jardim como lho vais mostrar". Já o interior, o "onde és teu", é uma zona que nunca deve ser revelada. Aí tudo pode crescer livremente - as flores que vêm do chão e mesmo as ervas naturais e selvagens.
A visão dupla da vida - interior e exterior - é adoptada totalmente na terceira estrofe: "Faz de ti um duplo guardado". Há uma aparência completa, um jardim perfeito em forma de máscara absurda, que serve ao homem na sua vida quotidiana; enquanto que no interior tudo é dominado pelo sonho, pelas flores selvagens e pela erva que cresce erraticamente.»

26 de outubro de 2011

«Para algumas pessoas eu não mostro nem metade do que realmente sou.
Não por medo, mas por não valer a pena mesmo.»


William Shakespeare

12 de outubro de 2011

Sou um Evadido

Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.

Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?

Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte
Oxalá que ela
Nunca me encontre.

Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.


Fernando Pessoa

11 de outubro de 2011

Sísifo

Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.


E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar
E vendo
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga

10 de outubro de 2011

“Na infância, o que se ouve ou o que se vê não sobe para o cérebro. Desce para o coração e aí fica escondido.”

(Humberto de Campos)

6 de outubro de 2011

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.


Drummond de Andrade

5 de outubro de 2011

4 de outubro de 2011

sábado: dia de feira

Bem, no passado sábado tive uma experiência nova: estive a vender numa feira.
Esta feira realizou-se na Sé do Porto e como podem verificar na foto, tinha um ambiente de festa e o calor ajudou a trazer muitas, mas mesmo muitas pessoas até lá. A maioria dos vendedores eram jovens e que estavam a vender coisas/roupas antigas, bijuteria, bolos, bebidas, brinquedos, um pouco de tudo. Houve também música ao vivo e muita animação que nos proporcionou muitas gargalhadas. Foi uma experiência muito engraçada e onde pude também ver os bastidores das feiras, um lado onde por vezes não compreendemos. Nesta iniciativa tivemos também opoertunidade de conhecer pessoas novas e muito simpáticas, algo que me deixa muito feliz!

28 de setembro de 2011

«O sonho é aquilo que fica, mesmo se já não estão as pessoas que o sonham.»

22 de setembro de 2011

Prazeres

O primeiro olhar da janela de manhã
O velho livro de novo encontrado
Rostos animados

Neve, o mudar das estações
O jornal
O cão
A dialéctica
Tomar duche, nadar
Velha música
Sapatos cómodos
Compreender
Música nova
Escrever, plantar
Viajar, cantar
Ser amável.

Bertold Brecht, in 'Do Pobre B.B.'

21 de setembro de 2011

o livro eleito

Hoje estive a escolher o livro que mais apreciei neste verão. E foi «A Cabana» de WM. Paul Young. O livro é muito simples mas o seu conteúdo é muito, muito bom.
E por aqui deixo um dos vários excertos que mais gostei:
"Há ocasiões em que optamos por acreditar em algo que normalmente seria considerado absolutamente irracional. Isso não significa que seja realmente irracional; mas, certamente, não é racional. Talvez exista a suprarracionalidade: a razão que transcede as definições normais dos factos ou a lógica baseada em dados. Algo que só faz sentido se conseguirmos vislumbrar um quadro mais amplo da realidade. Talvez seja aí que a fé se enquadre."

17 de setembro de 2011

"Recordar uma coisa deliciosa, é sempre delicioso - mesmo que já não a possuamos - por isto só: porque a possuímos um dia."
Mário de Sá-Carneiro

16 de setembro de 2011

uma notícia bastante agradável

«Há mais jovens a considerar que a leitura é importante para a sua vida pessoal. Em 2007, entre os que tinham 15 a 24 anos, 30,6% consideraram-na "muito importante". Em Março passado, neste grupo etário, já eram 52,4% os que afirmaram o mesmo. (...)
Os resultados do último Barómetro de Opinião Pública PNL, com um inquérito desenvolvido em Março passado junto de uma amostra de 1257 indivíduos, mostram que é no grupo dos 15 aos 24 anos que se registou um maior aumento entre aqueles que consideram a leitura "muito importante" para a sua vida pessoal. A avaliação externa do plano é feita por uma equipa do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, coordenada por António Firmino da Costa. O primeiro estudo de avaliação foi divulgado em 2008.»
in http://www.publico.pt/Educação/mais-de-metade-dos-jovens-portugueses-valorizam-a-leitura_1511882


Esta notícia baseada num inquérito deixou-me bastante contente. Acho que a cultura dos jovens não está assim tão má como às vezes pensamos. Não há muito tempo descobri que o simples acto de ler é demasiado importante para a nossa cultura e até mesmo a nossa vida. Sem dúvida, que só nos favorece na maneira de falar, de escrever, de pensar e de tudo o resto. Por isso é um hábito que temos de cultivar cada vez mais para nos tornamos pessoas mais sábias!

15 de setembro de 2011

os filmes deste verão:

Quem me conhece já sabe que adooooro ver filmes, então ir ao cinema é uma delícia... Mas dos muitos filmes que vi este verão, escolhi estes pois destacaram-se. O meu preferido destes cincos é sem dúvida o The Notebook ou Diário da nossa Paixão. A história é linda, romântica e faz pensar na vida, mas tenho de admitir que é um filme para ver a um sábado à tarde, tal como eu fiz :)