14 de fevereiro de 2011

O dia

"Passa o dia contigo
Não deixes que te desviem
Um poema emerge tão jovem tão antigo
que nem sabes desde quando em ti vivia"
Sophia de Mello Breyner Andresen

9 de fevereiro de 2011

Frei Luís de Sousa

"Maria (abrindo a mão e deixando-as cair no regaço da mãe) - Murchou tudo... tudo estragado da calma... Estas são papoulas que fazem dormir; colhi-as para as meter debaixo do meu cabeçal esta noite; quero-a dormir de um sono, não quero sonhar, que me faz ver cousas... lindas às vezes, mas tão extraordinárias e confusas...
Madalena - Sonhar, sonhas tu acordada, filha! Que, olha, Maria, imaginar é sonhar, e Deus pôs-nos neste mundo para velar e trabalhar, com o pensamento sempre n'ele, sim, mas sem nos estranharmos a estas cousas da vida que nos cercam, a estas necessidades que nos impõe o estado, a condição em que nascemos. Vês tu, Maria, tu és a nossa única filha, todas as esperanças de teu pai são em ti (...)"

Amor de Perdição

Cara menina Coração:
Desde os meus quinze anos que prometi o meu coração a um rapaz meu vizinho. Amo e sou amada por ele, contudo as nossas famílias estão desavindas. O meu pai não me compreende e quer que eu me case com meu primo Baltazar. Diz-me ele que com o tempo vou amá-lo. O meu pai até me disse: « minha querida filha, que a violência dum pai é sempre amor. ». Ontem, meu querido pai disse-me:
« - Hás de casar! - Quero que cases! Quero!... Quando não, amaldiçoada serás para sempre, Teresa! Morrerás num convento! Esta casa irá para teu primo! Nenhum infame há de aqui pôr pé nas alcatifas de meus avós. Se és uma alma vil, não me pertences, não és minha filha, não podes herdar apelidos honrosos, que foram pela primeira vez insultados pelo pai desse miserável que tu amas! Maldita sejas! Entra nesse quarto, e espera que daí te arranquem para outro, onde não verás um raio de Sol.»
Cara menina Paixão, o que devo fazer?
Teresa


- Como se fosse escrito na época em que decorre:
Olá menina Teresa, estou aqui para te ajudar nesse teu momento difícil de escolha.
Sei que deves estar confusa, mas aconselho-te a seguir o que o teu pai disse. Sabes que se não fizeres isso terás as piores consequências.
É melhor esqueceres a tua paixão pelo Simão, e aceitares a ideia de te casares com o teu primo Baltazar. Ele dar-te-á felicidade e a paz que precisas. Podes pensar o contrário mas daqui a algum tempo vais dar-me razão.
És muito nova para estares a entrar em batalhas com o teu pai, tens de compreender que os homens mandam sempre em nós, pois eles nasceram com esse poder. Não te esqueças que o Simão é da família inimiga, por isso irias prejudicar a tua família perante a sociedade, lembra-te que tens uma reputação a manter. Sabes o que as pessoas do povo iriam falar? De ti, da tua história de amor com o Simão e isso não pode acontecer, sabes que o teu pai não ia gostar.
Espero que não tomes as decisões erradas e que me contes o que vais decidir, pensa no que te disse.
Beijinhos,
Menina Coração

- Como se fosse escrito nos dias de hoje:
Olá Teresa, que notícias tão más que me estás a contar…
Deves estar numa situação complicada, pois estás entre dois amores, o Simão e o teu pai. Sabes que respeito muita a relação com os nossos parentes, pois eles deram-nos toda a nossa educação, toda a nosso vida é por eles. Mas, estás a chegar à situação em precisas de “voar”, como todas as jovens passam por isso. Aconselho-te a falar com o teu pai, para ele perceber que tu é que escolhes o teu verdadeiro amor, que não é pelo teu primo Baltasar. Fala sobre o Simão, fala como ele é bom para contigo, diz que a história da família inimiga já passou, já foi há muito tempo e este acontecimento pode originar um novo começo de paz entre as famílias.
Se o teu pai não ceder, acho que deves ir por outro caminho, o mais dificil. Tenta arranjar um voo barato para um país longe com o Simão, sim, estou a dizer para fugires de casa e recomeçares a tua vida noutro sítio, depois podes regressar e podes ter um pai mais calmo e que tenha percebido que a tua cara metade é o Simão.
Não faças nada que te arrependas no futuro e nunca te esqueças que tu é que comandas a tua vida, as pessoas que estão à tua volta, só te amparam quando estás a precisar de uma ajuda, como é a minha função.
Beijinhos, Menina Coração


(trabalho para a disciplina: Literatura Portuguesa)

3 de fevereiro de 2011

Nos dias tristes...

Nos dias tristes não se fala de aves.
Liga-se aos amigos e eles não estão
e depois pede-se lume na rua
como quem pede um coração
novinho em folha.

Nos dias tristes é Inverno
e anda-se ao frio de cigarro na mão
a queimar o vento e diz-se
- bom dia!
às pessoas que passam
depois de já terem passado
e de não termos reparado nisso.

Nos dias tristes fala-se sozinho
e há sempre uma ave que pousa
no cimo das coisas
em vez de nos pousar no coração
e não fala connosco.

(Filipa Leal, in "A Cidade Líquida e Outras Texturas"/ Deriva Editores)

2 de fevereiro de 2011

Procura-se um amigo

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

Vinícius de Moraes (Rio de Janeiro, 1913 – 1980) formou-se em Direito, em 1933. No mesmo ano publicou O Caminho para a Distância, seu primeiro livro de poesia. Ainda na década de 1930, são lançados Forma e Exegese, Ariana, a Mulher e Novos Poemas.

Em 1938 viajou para a Inglaterra, para estudar Língua e Literatura Inglesa. De volta ao Brasil, ingressou na carreira diplomática, serviu nos Estados Unidos, na França e no Uruguai. Em 1956 iniciou parceria com Tom Jobim, que fez as músicas para sua peça Orfeu da Conceição. Publicou, em 1957, o Livro de Sonetos. Em 1958 foi lançado o LP Canção do Amor Demais, que inclui a música Chega de Saudade, composta por ele e Tom Jobim, marco do movimento da Bossa Nova. Nas décadas seguintes ele participaria no movimento com diversas parcerias.
Em 1965 ganhou primeiro e segundo lugares no Festival de Música Popular da TV Excelsior, com as canções Arrastão, e Canção do Amor que não Vem. Vinícius de Moraes, pertencente à segunda geração do Modernismo, é um dos poetas mais populares da Literatura Brasileira. Suas canções alcançaram grande êxito de público, como Garota de Ipanema, a música brasileira mais executada no mundo. Para Otto Lara Rezende, "depois do Vinicius musical, foi o Vinicius cronista quem mais depressa chegou ao coração do grande público". Sua obra poética também teve e continua tendo muito sucesso, principalmente poemas como Soneto de Fidelidade. Ele produziu ainda poemas infantis, como os de A Arca de Noé.

31 de janeiro de 2011

Poema em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,


Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?


Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?


Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.


Álvaro de Campos

28 de janeiro de 2011

O Inverno

Velho, velho, velho.
Chegou o Inverno.

Vem de sobretudo,
Vem de cachecol,
O chão onde passa
Parece um lençol.

Esqueceu as luvas
Perto do fogão:
Quando as procurou,
Roubara-as um cão.

Com medo do frio
Encosta-se a nós:
Dai-lhe café quente
Senão perde a voz.

Velho, velho, velho.
Chegou o Inverno.


Eugénio de Andrade

19 de janeiro de 2011

"O Teatro é que me apaixonou. O ambiente; as frisas e camarotes; o dourado discreto do estuque e o rosa velho dos estofos. O ar que se respirava lá dentro era mágico: tinha outra constituição molecular, outro cheiro; entrava nos pulmões e desencadeava ondas de prazer que sobrelevavam a qualquer deleite masturbatório. À lenta diminuição das luzes da sala, anunciando o fim do intervalo e o início do acto seguinte, sobressaíam com subtil refulgência os contornos esculpidos das quatro ordens de camarotes: e os meus colegas de turma sentados nos seus lugares, agora silhuetas à meia-luz vislumbradas na frisa ao lado ou no camarote em frente, perdiam a boçalidade que eu tão bem lhes conhecia do recreio e das casas de banho do liceu, para me parecerem de repente transformados em príncipes e poeta.
Os feios tornavam-se bonitos; os bonitos, lindos de morrer."

Amar não acaba, Frederico Lourenço

18 de janeiro de 2011

Momentos...



"Numa noite normal com o passado largado da memória, um homem reencontra, no lugar a que chama casa, lembranças de um tempo que viveu.
Fragmentos de pura felicidade e instantes de sublime partilha, surgem como apontamentos de esperança de um presente que não voltará a ser o mesmo."

17 de janeiro de 2011

Amar não acaba

Amar não acaba.
É como se o mundo estivesse à minha espera.
E eu vou ao encontro do que me espera.


Clarice Lispector

23 de dezembro de 2010

"Se Deus curar-me, então Deus é Deus e Deus é Bom.
Se Deus não curar-me e deixar-me morrer, Deus ainda é Deus e Deus ainda é Bom."

10 de dezembro de 2010

Fim


Os portugueses Da Weasel, uns dos grupos que melhor souberam unir o hip hop ao rock, anunciaram hoje que puseram fim ao projecto, 17 anos depois da fundação, revelou a editora EMI.

Em 2009, a banda de Almada tinha anunciado que faria uma pausa no projeto, depois de anos consecutivos de concertos e gravações discográficas.
Agora anunciam oficialmente o fim do grupo, restando aos fãs a discografia até agora editada e canções como “God Bless Johnny”, Dúia”, “Agora e para sempre (a paixão)”, “Ressaca”, “Dou-lhe com a alma”, “Dialectos de ternura” e “Tás na boa”.
Alguns dos músicos prosseguem caminho na música em projetos paralelos, como João Nobre e Pedro Quaresma, que assumem os Teratron e que editaram esta semana o álbum banda desenhada “As cobaias”.
Carlos Nobre (Pacman) lançou este ano o projeto punk hardcore Os Dias da Raiva e Virgul integra os Nu Soul Family.
Os Da Weasel surgiram em Almada em 1993 e editaram seis álbuns de estúdio, um EP e dois DVD ao vivo.
Com uma confortável base de fãs, abrangendo uma larga faixa etária, de crianças a adultos, os Da Weasel protagonizaram, mais recentemente, alguns momentos raros em bandas portuguesas, como esgotar o coliseu de Lisboa e o Pavilhão Atlântico, registados em DVD ao vivo.
“Amor, Escárnio e Maldizer” foi o último álbum de originais que o grupo editou, em 2007, e que na altura representava um amadurecimento da sonoridade, entre o hip hop e o rock pesado, e que o tornou numa espécie de “trovadores urbanos”, como os músicos admitiram.
Além deste, o registo de maior sucesso foi “Re-Definições”, que atingiu quatro platinas.
Dos Da Weasel faziam parte parte João Nobre (Jay), Pacman, Virgul, Pedro Quaresma, Guilherme Silva e DJ Glue, embora nos primeiros tempos tivessem também participado Yen Sung e Armando Teixeira.
A discografia dos Da Weasel inclui o EP “More than 30 motherf****s” (1994), “Dou-te com a alma” (1995), “3º Capítulo” (1997), “Iniciação a uma vida banal - o manual” (1999), “Podes fugir mas não te podes esconder” (2001), “Re-definições” (2004) e “Amor, escárnio e maldizer” (2007).

(http://publico.pt/Cultura/da-weasel-anunciam-o-fim-da-banda_1470216)

30 de novembro de 2010

sermões...

Nascer pequeno e morrer grande é chegar a ser homem. Por isso nos deu Deus tão pouca terra para o nascimento e tantas para a sepultura. Para nascer, Portugal, para morrer, o mundo.
Padre António Vieira

29 de novembro de 2010

Ryanair disponibiliza 1 milhão de lugares a 6 euros

A Ryanair acaba de anunciar que a partir da meia-noite desta segunda-feira, 29 de Novembro, irá disponibilizar 1 milhão lugares a 6 euros para viajar às terças, quartas e quintas em Janeiro e Fevereiro.
Segundo o comunicado da companhia, estas tarifas baixas «com tudo incluído» vão estar disponíveis para mais de 500 rotas Ryanair em toda a Europa e devem ser reservadas no site da companhia antes da meia-noite (24h00) de quinta-feira 2 de Dezembro.
Estes bilhetes da Ryanair a 6 euros incluem «todas as taxas e encargos, como tal, todos os passageiros que decidam evitar as despesas opcionais, ao efectuarem o pagamento com o cartão pré-pago da MasterCard, transportando só a mala de mão até 10Kg e não optando pelo embarque prioritário, poderão viajar à tarifa publicitada de 6 euros», conclui o comunicado.

(http://www.agenciafinanceira.iol.pt/empresas/portugal-agencia-financeira-turismo-viagens--ryanair/1213595-1728.html)

24 de novembro de 2010

Notícias Curtas e Engraçadas II

Mulher activa alerta de bomba para evitar que filha case
Uma senhora de 56 anos telefonou para o aeroporto de Moscovo, na Rússia, a dizer que a filha era uma bombista suicida. Isto, numa tentativa para evitar que a filha embarcasse no avião para se ir casar. A polícia começou à procura da suposta suicida-bombista e instalou-se o caos.
Lembraram-se de rastrear a chamada e descobriram que foi a mãe da rapariga que a fez. A mulher foi presa por suspeita de um falso ataque terrorista. Era contra o casamento da filha com um marroquino e não queria que a filha embarcasse, de acordo com as autoridades. Tudo o que conseguiu foi ser presa.

GNR recupera duas toneladas de castanhas roubadas
A GNR recuperou duas toneladas de castanha roubadas de um armazém e identificou os alegados autores do furto. O produto do roubo poderia render, pelo menos, cerca de dois mil euros. A castanha estava já armazenada em sacas e pronta a ser comercializada, quando foi furtada de um armazém.
A GNR teve conhecimento do furto na manhã de terça-feira e, no mesmo dia, os militares do núcleo de investigação criminal recuperam os dois mil quilos de castanha. De acordo com a fonte, este tipo de crime ocorre com alguma frequência nesta época do ano que coincide com a apanha da castanha, um dos produtos agrícolas mais rentáveis na actualidade.
Os indivíduos foram constituídos arguidos, ficando sujeitos apenas à medida de coação mais leve, o Termo de Identidade e Residência.

Demitida por ter «seios demasiado grandes»
Uma norte-americana, Amy-Erin Blakely, de 43 anos, alega ter sido demitida por os seus seios serem «grandes demais».
De acordo com o jornal «Telegraph», o patrão disse-lhe para esconder os seios por serem demasiado grandes. Era «demasiado sensual» para ser promovida. Os colegas afirmaram que não se conseguiam concentrar no trabalho, pelo que foi avisada para esconder os seios. Amy-Erin Blakely disse que sempre se vestiu de forma profissional, que era uma funcionária exemplar e que nunca tinha sido repreendida.
«Eu só pedi para ser julgada pelos meus méritos. Em vez disso, eu era julgada pela minha aparência e pelo tamanho dos meus seios», disse a norte-americana. Amy-Erin Blakely tem um processo em tribunal contra a companhia.

Decidiu perder peso depois de se ver gordo no Street View
Um britânico de 56 anos decidiu perder peso depois de se ter visto muito gordo numa imagem do Sreet View, a ferramenta do Google que fotografa várias cidades.
Pesava cerca de 134 kg quando se viu na fotografia, mas agora pesa 89 kg. Perdeu, portanto, 45 kg após a sua decisão, conta o «Telegraph». "Eu fiquei em choque quando vi aquela foto. Eu estava enorme. Já estava a pensar perder peso há algum tempo, mas depois de ver aquela imagem eu sabia que tinha de fazer alguma coisa", contou.

Casal diz «sim» pela 83ª vez e tenta bater recorde
Uma mulher australiana e o marido casaram este sábado pela 83ª vez.

Como participantes num concurso irlandês que os acompanha na sua renovação de votos à volta do mundo, Mark e Denise Duffield-Thomas voltaram a dizer «sim» numa piscina de Queensland, na Austrália, igualando-se ao número máximo de casamentos celebrados por um casal registado pelo Guiness.
O jovem casal, que atou o nó em Agosto do ano passado no Reino Unido e voltou a repetir a cerimónia numa praia australiana, ganhou o prémio «Ultimate Job in The World» (o emprego mais insólito do mundo) numa competição organizada por uma empresa irlandesa. Desde a vitória, o casal tem renovado votos em sítios como masmorras, grutas, lagunas cheias de tubarões e ruínas de igreja privada de um eremita.

23 de novembro de 2010

Quem foi Francis Bacon?

Nasceu em Londres a 22 de Janeiro de 1561 e faleceu a 9 de Abril de 1626, era filho de Sir Nicholas Bacon (Guarda do Grande Selo) e de Anna Cook. Foi a sua mãe uma das grandes influências na sua forma de pensar e na escrita, equilibrada pela família paterna, mais ligada ao mundo da corte. Dada a sua ascendência nobre, a partir dos 15 anos foi enviado para Cambridge, onde estudou Escolástica e Filosofia no Trinity College.
Assim que a sua formação terminou, em 1577, começou a trabalhar no meio diplomático, concretamente em França. Retornou pouco depois a Inglaterra, uma vez que a família passava por uma crise financeira, e iniciou a sua formação em Direito na Gray's Inn (onde leccionaria a partir de 1589). Concluiu a mesma em 1582 e dois anos depois foi deputado no Parlamento, seguindo-se a nomeação de Conselheiro da Coroa.
O seu papel foi menos brilhante nas circunstâncias que levaram o conde de Essex à morte: o conde tinha protegido Bacon quando as críticas à política de impostos da rainha Isabel I o retiraram da cena pública, tendo inclusivamente dado ao advogado uma propriedade com um palacete. No entanto Essex foi acusado de traição, de apoiar o rival escocês que pretendia ocupar o trono onde se sentava a rainha, e Bacon, depois de tentar em vão que Essex desistisse da sua simpatia, acusou-o e, consequentemente, o conde foi condenado à morte. Bacon foi depois conselheiro do rei Jaime I, que lhe deu o título de "Sir", de barão de Verulamo e de visconde de Saint Alban, foi Guarda do Grande Selo, Lorde Protector (1617) e, no seguinte ano, Lorde Chanceler. Com uma lealdade ao rei incontestável, acreditou no absolutismo monárquico, o que provocou uma onda de descontentamento por todo o reino, sobretudo no seio do Parlamento.
O Chanceler foi então acusado de receber presentes da parte de pessoas interessadas em processos litigiosos sobre os quais ele opinava, sendo demitido de todos os seus cargos em 1621 e preso na Torre de Londres. Faleceu cinco anos depois.

16 de novembro de 2010

Uma leitura entre cafés

Uma associação cultural está a oferecer livros a cafés e pastelarias do distrito de Bragança com o objectivo de promover o gosto pelos livros e os hábitos de leitura. A ideia é simples: se as pessoas não vão às bibliotecas procurar livros, estes vão ter com elas.

A iniciativa,designada "Pausa para a leitura", é o convite quotidiano que a associação Potrica - Grupo de Acção Cultural do Nordeste Transmontano vai fazer nas próximas semanas nos estabelecimentos comerciais de Bragança e Mirandela, depois de o ter feito em Macedo de Cavaleiros e Torre de Moncorvo. Desta forma deixa de haver desculpas para não ler, porque os livros estão memo ali ao lado da chávena do café ou do bolo mais gostoso.

Luís Pereira, dirigente da Potrica, explicou durante a entrega de uma remessa de livros na pastelaria "Soromenho", em Moncorvo, que o objectivo é contribuir para o gosto pela leitura. "Achamos que esta seria uma forma popular de o fazer. Como os livros estarão nas mesas, é fácil que lhes toquem, os folheiem, os cheirem e por fim os leiam", referiu.

Luís Pereira e Celina Martins, daquela associação, fazem esta tarefa por gosto e carolice, dedicando-lhe uma parte do seu tempo de forma voluntária e gratuita. Andam de terra em terra a colocar livros nas mesas dos cafés. Gestos que despertam a curiosidade dos clientes. Foi com a mesma boa vontade que a Potrica lançou no centenário de Miguel Torga a iniciativa "Pão, Torga e Poesia", imprimindo mais de um milhão de poemas do escritor nos sacos de uma pastelaria de Macedo de Cavaleiros.
Telmo Santos, proprietário da "Soromenho", recebeu-os de braços abertos. "Queremos que este estabelecimento não seja só um café, mas também um espaço de integração social e cultural. As pessoas copiam os modelos das cidades e os locais de convívio também se estão a perder", justificou.

O empresário acredita que "as pessoas ao serem confrontadas com esta oportunidade, vão acabar por aderir", acrescentou.
Simultaneamente, a Potrica faz a divulgação de autores transmontanos, uma vez que privilegia a entrega de livros destes escritores. "Muitos não são conhecidos, desta forma é mais fácil que passem a sê-lo. É um facto que os livros são caros e que nem todos os podem comprar", realçou Celina Martins, que lança um repto para que todos os que se deparem com a iniciativa peguem nos livros. "Para ler ou sublinhar uma frase, que tenham interesse pela sua descoberta", aconselhou.

Os promotores do projecto gostavam de o levar aos 12 concelhos do distrito de Bragança, mas para já estão condicionados à quantidade de livros de que dispõem, que ainda não chegam para cobrir toda a região. Pediram a colaboração de editoras, mas apenas responderam três.

15 de novembro de 2010

12 de novembro de 2010

Amizade Sem Sinceridade

Acredita-se ter encontrado um meio de tornar a vida deliciosa através da bajulação. Um homem simples que apenas diz a verdade é visto como o perturbador do prazer público. Foge-se dele porque não agrada a ninguém; foge-se da verdade que ele enuncia, porque é amarga; foge-se da sinceridade que proclama porque apenas traz frutos selvagens; tem-se receio dela porque humilha, porque revolta o orgulho que é a mais estimada das paixões, porque é um pintor fiel que nos faz ver quão disformes somos.
Não admira que seja tão rara: em toda a parte (a sinceridade) é perseguida e proscrita. Coisa maravilhosa, ela encontra a custo um refúgio no seio da amizade.
Sempre seduzidos pelo mesmo erro, só fazemos amigos para ter pessoas particularmente destinadas a nos agradarem: a nossa estima resume-se à sua complacência; o fim dos consentimentos acarreta o fim da amizade. E quais são esses consentimentos? O que é que mais nos agrada nos amigos? São os contínuos elogios que lhes cobramos como tributos.
A que se deve que já não haja verdadeira amizade entre os homens? Que esse nome não seja mais do que uma armadilha que empregam com vileza para seduzir? «É, diz um poeta (Ovídio), porque já não existe sinceridade.»
Com efeito, retirar a sinceridade da amizade é torná-la uma virtude teatral; é desfigurar essa rainha dos corações; é tornar quimérica a união das almas; é introduzir o artíficio no que há de mais santo e a perturbação no que há de mais livre.

Baron de Montesquieu, in "Elogio da Sinceridade"

8 de novembro de 2010

carrego o teu coração comigo

carrego o teu coração comigo(carrego-o em
meu coração)nunca estou sem ele(onde
eu vou tu vais, querida; e o que é feito
só por mim és tu que fazes, meu amor)
eu não temo
nenhum destino(tu és o meu destino, meu doce)eu não quero
outro mundo (pela tua beleza ser o meu mundo, minha verdade)
e tu és seja o que for que a lua signifique
e o que quer que o sol cante sempre és tu

aqui está o segredo mais profundo que ninguém sabe
(a raíz da raíz e o botão do botão
e o céu do céu da árvore chamada vida; a qual cresce
mais alto do que a alma espera ou a mente esconde)
e este é o milagre que mantém as estrelas separadas

carrego o teu coração(carrego-o em meu coração)
(e.e.cummings)

ps- a versão original deste poema ("i carry your heart with me") tem a mesma estrutura deste.

6 de novembro de 2010

aulas de literatura...

Aprendi a sinfonia dos silêncios. Das esperas.
Sem ânsias do amanhã. Aprendi a conjugar o presente.
E a vivê-lo como se um passado não tivesse existido.
Os compassos da lenta descoberta.
Abriram as comportas do imaginário
e, timidamente, quiseram ser peixes voadores
Ensaiei a dança das palavras, pura.
Puros movimentos doces dançando de boca em boca
e com o mesmo desfecho: morrer ali.
Sem ter a noção do ontem, sem saber do amanhã.
E vi o encantamento soltar as asas, reclamando o peito pela cintura.
Envolvendo todo o corpo
Encantamento perdido, no começo do fim
E veio a ânsia, despida.
Com silêncio profundo
Que me faz pensar na vida.
E a graça, nua.
sem medo da liberdade
Sem temer.
E todo este movimento perpétuo
que me faz explodir de alegria,
viver no limiar das emoções,
deixar voar as palavras, sem medo....
....sem medo de arriscar de viver.

Miguel Carvalho (http://adevidacomedia.wordpress.com/)

Turma do décimo primeiro, D.