5 de junho de 2011

A vida humana

«Se te dizem que faças o que quiseres, a primeira coisa que parece aconselhável é que penses com tempo e a fundo o que é aquilo que queres. Apetecem-te com certeza muitas coisas, amiúde contraditórias, como acontece com toda a gente: queres ter uma moto, mas não queres partir a cabeça no asfalto, queres ter amigos, mas sem perderes a tua independência, queres ter dinheiro, mas não queres sujeitar-te ao próximo para o conseguires, queres saber coisas e por isso compreendes que é preciso estudar, mas também queres divertir-te, queres que eu não te chateie e te deixe viver à tua maneira, mas também que esteja presente para te ajudar quando necessitas disso, etc. Numa palavra, se tivesses que resumir tudo isto e pôr sinceramente em palavras o teu desejo global e mais profundo, dir-me-ias: «Olha, pai, o que eu quero é ter uma vida boa.» Bravo! O prémio para este senhor! Era isso mesmo o meu conselho: quando te disse «faz o que quiseres», o que, no fundo, pretendia recomendar-te é que tivesses o atrevimento de teres uma vida boa. (…)
Queres ter uma vida boa: magnífico. Mas também queres que essa vida boa não seja a vida boa de uma couve-flor ou de um escaravelho, com todo o respeito que tenho por ambas as espécies, mas uma vida humana boa. É o que te interessa, creio eu. E tenho a certeza de que não renunciarias a isso por nada deste mundo. Ser-se humano, já o vimos antes, consiste principalmente em ter relações com outros seres humanos. Se pudesses ter muito, muito dinheiro, uma casa mais sumptuosa do que um palácio das mil e uma noites, as melhores roupas, os alimentos mais requintados (…), as aparelhagens mais perfeitas, etc., mas tudo isso à custa de não voltares a ver nem a ser visto – nunca – por um outro ser humano, ficarias satisfeito? Quanto tempo poderias viver assim sem te tornares louco? Não será a maior das loucuras querermos as coisas à custa da relação com as pessoas? Mas se justamente a graça de todas as coisas de que falámos assenta no facto de te permitirem – ou parecerem permitir – relacionares-te mais favoravelmente com os outros! (…) Muito poucas coisas conservam a sua graça na solidão; e se a solidão for completa e definitiva, todas as coisas se volvem irremediavelmente amargas. A vida humana boa é vida boa entre seres humanos ou, caso contrário, pode ser que seja ainda vida, mas não será nem boa nem humana

Fernando Savater, Ética para um Jovem,
7.ª ed., trad. Miguel Serras Pereira, Lisboa, Presença, 2000

4 de junho de 2011

O sol faz bem!

«Nesta época estival voltamos a ouvir falar insistentemente dos malefícios do sol, mas a verdade é que o sol também faz bem e é fundamental para a nossa saúde. Assumindo que toda a gente já sabe quais as melhores horas para se expor ao sol e como se deve proteger, vamos lembrar quais os seus benefícios.
* O sol é essencial para a sintetização da vitamina D, responsável pela formação do cálcio e pela fixação do mesmo nos ossos e dentes. No entanto, 5 a 10 minutos de sol por dia, duas vezes por semana, são suficientes.
* Quando a luz entra em contacto com a retina, ativa a glândula pineal (que controla os biorritmos do corpo), inibindo a produção de melatonina e permitindo a libertação de serotonima, o que ajuda a levantar o ânimo e a combater a depressão.
* Já ouviu dizer: "Na primavera, o sangue altera"? Isto tem a ver com o aumento do calor e das horas de sol, que melhoram a circulação sanguínea e nos dão a sensação de ter mais energia, entre outras coisas.
* Estimula o sistema endócrino, melhorando o metabolismo e promovendo a absorção das vitaminas, proteínas e minerais.
* Ajuda a combater o acne e curar as infeções por fungos.
* Fortalece o sistema imunitário, promovendo o aumento dos glóbulos brancos.
* Aumenta a concentração de glóbulos vermelhos, que transportam o oxigénio aos tecidos.
* O sol também regula a leptina, hormona que envia o sinal de saciedade ao cérebro. Por isso no verão sentimos menos fome.
* A pele bronzeada ganha outro brilho e fica com um aspeto mais saudável. Com isto, a autoestima e a sensação de bem-estar aumentam consideravelmente.»

3 de junho de 2011

"Olhó' gelado gigante"




«O Aeroporto de Faro tem desde ontem uma nova atracção. Trata-se da escultura "Tutti-Frutti" de Joana Vasconcelos. Feita em aço, tem quatro metros de altura e centenas de formas de praias em plástico coloridas, que formam um gelado gigante.»

in Metro

2 de junho de 2011

Nova escrita

Li numa revista o seguinte artigo:
«O uso das novas regras de ortografia só passa a ser obrigatório a partir de 2012. (...) De seguida, apresentamos-lhe algumas destas alterações:
- As letras "k", "w" e "y" são integradas no alfabeto.
- Os meses, as estações do ano e os pontos cardeais passam a escrever-se com minúsculas:

* janeiro, fevereiro, março, etc.
* primavera, verão, outono e inverno.
* norte, sul, este, oeste, noroeste, etc.
- Suprimem-se alguns acentos, como por exemplo:
* nas palavras graves com acento tónico "oi": boia, joia, heroico, etc.
* nas formas verbais graves terminadas em "eem": veem, deem, creem, etc.
* nas palavras graves homógrafas: pelo, pera, para, etc.
- Desaparecem as consoantes mudas e mantêm-se as que as pronunciam:
* Desaparecem: colecionar, ação, coletivo, ator, objetivo, projeto, etc.
* Mantêm-se: facto, ficção, convicção, bactéria, néctar, etc.
- O hífen desaparece:
* Nas formas monossilábicos do verbo Haver com a preposição de: hei de, hás de, hão de, etc.
* Nas palavras compostas que entretanto se tornaram uma, ou cujas letras anteriores e posteriores são a mesma consoante ou consoantes e vogais diferentes: mandachuva, paraquedas, contrassenso, antirrugas, autoestrada, extraescolar, etc.
* Nas locuções de uso geral (exceto as que designam espécies botânicas ou zoológicas): fim de semana, mesa de cabeceira, andorinha-do-mar, feijão frade, etc.»

25 de maio de 2011

Cantigas de Amigo

Sedia-m'eu na ermida de San Simion
e cercaron-mi as ondas que grandes son:
eu atendo'o meu amigo,
eu atend'o meu amigo.

Estando na ermida ant'o altar,
cercaron-mi as ondas grandes do mar;
eu atend'o meu amigo,
eu atend'o meu amigo.

E cercaron-mi as ondas que grandes son:
nem hei i barqueiro nem remador;
eu atend'o meu amigo,
eu atend'o meu amigo.

E cercaron-mi as ondas do alto mar;
non hei i barqueiro nem sei remar;
eu atend'o meu amigo,
eu atend'o meu amigo.

Non hei i barqueiro nem remador:
morrerei eu, fremosa, no mar maior:
eu atend'o meu amigo,
eu atend'o meu amigo.

Nem hei i barqueiro nem sei remar,
e morrerei eu, fremosa, no alto mar:
eu atend'0 meu amigo,
eu atend'o meu amigo.

Meendinho

«Ao lermos as cantigas de amigo, género lírico da tradição medieval galego-portuguesa, fitamos um difuso simbolismo esotérico feito de uma coincidência entre sentimento e ambiente, como por exemplo: “Amor = natureza alegremente faladora (Primavera) / indiferença = natureza tristemente silenciosa (Inverno)”.
Algumas destas cantigas têm a forma de diálogo de uma rapariga enamorada com a mãe, ou a irmã, ou as amigas, sempre acerca do “amigo” ou com este mesmo. Outras são monólogos de uma mulher enamorada. O lirismo vazado nestas composições tanto versa sobre o amor não correspondido, causa de sofrimento, desconforto e lamento, como também pode ser manifestação de um amor espontâneo. Assim, são diversos os sentimentos da donzela: o amor tranquilo e alegre; o fervor da paixão; a ansiedade e angústia porque o amigo não dá notícias; as saudades e a tristeza pela ausência do amado; os ciúmes ou as promessas de vingança pela infidelidade do amigo…
Não é por acaso que Amália Rodrigues utilizou a letra da cantiga “Sedia-m’eu na ermida de Sam Simiom” num fado. Neste cantar de amigo, a donzela, na ermida de S. Simão (ilhéu da ria de Vigo), espera o amigo embarcado. Desesperada, vê a maré encher, crescendo a sua angústia ao pensar que vai morrer sem encontrar o amigo.»

24 de maio de 2011

O Doido e a Morte

«GOVERNADOR CIVIL - Perdão, Sr. Milhões. É preciso que atenda a várias circunstâncias pessoais. Eu não estou preparado para morrer. Não se morre assim sem mais nem menos. Morrer! Morrer!. . . Então o senhor pensa que isto de morrer é uma coisa sem importância nenhuma? Morrer é uma coisa muito séria, é um acto que importa certa preparação, testamento, cólicas, etc. É só chegar aqui, morrer e mais nada! Que tal está o da rabeca! Morrer! Eu não quero morrer nem pensei nunca a sério que tivesse de morrer. Tenho ido a enterros, mas é aos dos outros. . . Então o senhor entra-me pela porta dentro, e sem mais nem ontem, de repente, fala-me assim de morrer como se eu fosse um condenado à morte, nas escadas da força? Adeus, meu amigo! Além disso, é um crime. Previno-o de que é um crime, punido por todos os códigos, atentar contra a vida duma autoridade constituída, demais a mais no exercício das suas funções. Artigo 343. o do Código Penal. Vamos, vamos. . . Isso é um momento de desvario e mais nada. Espero que as minhas palavras o façam reconsiderar. (O outro ergue-se implacável e aproxima a mão da campainha.) Ai que ele está doido varrido! (Exaltando-se) Senhor! Senhor! (Avança para o agarrar, mas o outro põe o dedo em cima do botão e ele afasta-se logo.)
(...)
SR. MILHÕES - Doido! Doido!. . . Já é com esta a terceira vez que mo chama. Saiba então que um homem que não tem aos menos uma parcela de loucura não presta para nada. Aqui estou eu, que, enquanto tive o meu juízo todo, nunca fui feliz. (O Governador Civil julgando-o descuidado, vai-se aproximando da porta.) Passar por doido tem muitas vantagens. Direi mesmo que é a única situação vantajosa que há neste país. O doido diz tudo quanto lhe passa pela cabeça. (E continuando a falar imperturbável faz-lhe sinal que volte para trás e aproxima o dedo da campainha.) Ninguém estranha. O doido pode andar de chinelos de ourelo pelo Chiado. Ninguém repara. Quem tem juízo vive constrangido e está sujeito a mil complicações. Vá, sente-se.»

Editado em 1923. O Doido e a Morte, elogiado por José Régio e Miguel Torga é, porventura, a melhor obra de Raul Brandão e reveste-se de enorme relevo no panorama teatral português. A acção de "O Doido e a Morte" desenvolve-se num contexto marcado pela degradação da vida social e política da República. Em cena, entre outras personagens, dois indivíduos que o autor transformou em arqui-rivais: um governador civil e um milionário alegadamente enlouquecido. Perante a morte iminente estas personagens, "abrem o livro" e fazem uma breve resenha do que é que vale a pena recordar na esterelidade que assola duas vidas inúteis...

23 de maio de 2011

Ausência

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner Andresen

20 de maio de 2011

Luís de Camões tapado com um pano preto

«Ao fazer o meu passeio diário de bicicleta de Matosinhos à Foz, no Porto, deparei-me, no pequeno largo junto à Praia dos Ingleses, com o busto de Luís de Camões tapado com um pano preto e onde estava escrita a palavra "vergonha" em caracteres grandes. Curioso!
Esta iniciativa já não é original, dado que no final do séc.XIX, por altura do Ultimatum inglês, o povo de Lisboa tapou a estátua de Luís de Camões com panos pretos, tal era a vergonha pela "cobardia" dos nossos políticos perante os tais ditos "aliados" ingleses!»

Pedro Santos da Cunha
in http://www.jn.pt/CidadaoReporter/Interior.aspx?content_id=1845945

19 de maio de 2011


deixa o tempo fazer o resto
fechar as janelas
aplacar os barcos
recolher os víveres
semear a sorte
acender o fogo
esperar a ceia

abre as portas: lê a luz
a sombra, a arte do passarinheiro

com três paus
fazes uma canoa
com quatro tens um verso,
deixa o tempo fazer o resto.

Ana Paula Inácio

14 de maio de 2011

O leitor Ideal

"(...) aquele que só quer ler e partir para o que é dele com essa leitura."

Joaquim Manuel Magalhães




13 de maio de 2011

prémio Camões

Agora é diferente
Tenho o teu nome o teu cheiro
A minha roupa de repente
ficou com o teu cheiro

Agora estamos misturados
No meio de nós já não cabe o amor
Já não arranjamos
lugar para o amor

Já não arranjamos vagar
para o amor agora
isto vai devagar
isto agora demora


Manuel António Pina (1943)
Sabugal (Portugal)

«Em menos de meia hora o júri chegou a uma decisão consensual: Manuel António Pina é o vencedor do Prémio Camões 2011. Apesar de tão óbvia, a decisão apanhou o escritor desprevenido. "Foi a coisa mais inesperada que eu poderia esperar. Nem sabia que o júri estava reunido, nem que o prémio ia ser atribuído hoje. Portanto, fiquei absolutamente surpreendido", disse ontem à Lusa. O júri distinguiu a obra de Pina pela sua "inventividade e a originalidade". "Sinto-me um bocado embaraçado, atendendo à qualidade das pessoas, ao Panteão a quem já foi atribuído anteriormente o prémio", disse o escritor.

Com 67 anos, o jornalista do Sabugal, licenciado em direito, dividiu-se por várias áreas da literatura. O homem dos quatro ofícios: poesia, teatro, literatura infantil e ficção.

Em 1973 editava o seu primeiro livro: "O País das Pessoas de Pernas para o Ar". Como o título indica trata-se de um livro infantil que explora um lado mais surreal e humorístico, como no conto do menino Jesus não queria ser Deus. A sua obra infantil rompeu com a tradição e já faz parte dela, ao ser incluído no Plano Nacional da Leitura. Em 1974, Manuel António Pinta lançava-se na poesia com "Ainda Não É o Fim nem o Princípio do Mundo Calma É Apenas Um Pouco Tarde". "Acaba por ser também um prémio dado à poesia, que faz todo o sentido, porque continuamos a ser um país de grandíssimos valores nessa área e com um reconhecimento que é sempre justo e positivo", afirmou José Luís Peixoto à Lusa. Mário Cláudio concorda e defende que premiar a poesia é importante, pois tem estado mais esquecida.

Manuel António Pina ainda escreveu para teatro, sendo "História do sábio fechado na sua biblioteca", a sua última peça. O nome do escritor está associado à história do jornalismo. "Inovou muito no jornalismo português. Deu alma às notícias, com uma abordagem mais poética, mais livre", defendeu o historiador Germano Silva.

Em 2003, Pina deixou o terreno mais que familiar da literatura infantil e aventurou-se na ficção para pessoas mais crescidas com "Os Papéis de K.". A sua obra está traduzida em França, em Espanha, na Dinamarca, na Alemanha, na Rússia, na Croácia, na Bulgária e nos Estados Unidos. O Brasil parece ser a próxima aposta, já que os trabalhos do poeta ainda não foram publicados na terra do samba. Pina é o 10º português a receber o prémio. No ano passado, o Camões, no valor de 100 mil euros, foi para o poeta brasileiro Ferreira Gullar. O primeiro vencedor do Prémio foi Miguel Torga, em 1989.»

9 de maio de 2011

Espero

Espero sempre por ti o dia inteiro,
Quando na praia sobe, de cinza e oiro,
O nevoeiro
E há em todas as coisas o agoiro
De uma fantástica vinda.

Sophia de Mello Breyner Andresen

26 de abril de 2011

Ponto, de Estrela Ruiz Leminski

«O mundo é feito de pontos. São muitos se forem pontos de vista. Poucos se forem pontos estratégicos. Muito húmidos se forem pontos de chuva. O mais gostoso é ponto de encontro, mas às vezes desencontra. Ou pontos de luz, um homem e uma mulher nus. Todos são pontos. O caminho entre dois uma reta. Uma linha. Um caminho que caminha sozinho. Fim da linha. Ou do fio. Fio da meada é na conversa. Conversas são feitas de pontos de enfoque. O palco também. Amores são pontos em comum. Os pontos são um.»

Estrela Ruiz Leminski (Curitiba, 1981) é escritora e compositora brasileira, filha dos poetas Paulo Leminski e Alice Ruiz. Formada em Música pela Faculdade de Artes do Paraná. Em 2004 lançou seu primeiro livro, Cupido, cuspido, escarrado, incluindo seus poemas feitos na infância e adolescência. Em 2009 participou da antologia "XXI poetas de hoje em dia(nte) e antologia dos poetas "Anos 2000" da editora Global. Em 2011 lançou o livro "Poesiaénão".

15 de abril de 2011

Trocas

Tinha uma amiga com quem queria ter dormido. A
amiga tinha outro amigo com quem dormiu depois
de saber que ele queria dormir com ela. Disse-lhe
depois que se não tivesse sabido que ele queria
dormir com ela teria dormido com ele sem dormir
com o outro. Mas o outro, que sabia que ela não
queria dormir com ele, dormiu com ela para que
ela percebesse que era melhor dormir com ele do
que dormir com o amigo. O amigo é que deixou
de ser amigo dele porque não gostou que a amiga
o tivesse preferido a ele. A amiga dos dois, por
fim, convenceu-os a não se zangaram por ela ter
dormido com o que não gostava dela, e acabou a
pedir ao primeiro que dormisse com ela para não
ficar triste. Mas o amigo não quis, porque já tinha
feito as pazes com o que dormira com ela, e não
queria que tudo voltasse ao princípio. E foi assim
que a amiga se zangou com o que queria ter dormido
com ela por ele não querer dormir com ela
porque ela tinha dormido com o outro depois de
saber que o outro já tinha dormido com ela, e ele não.

Nuno Júdice

13 de abril de 2011

Para Fernando Pessoa a «Cultura não é ler muito, nem saber muito; é conhecer muito.»

9 de abril de 2011

noite de Teatro - 8 de Abril

Azul Longe nas Colinas, no TeCA com: Albano Jerónimo, Bruno Nogueira, Dinarte Branco, Elsa Oliveira, Leonor Salgueiro, Luísa Cruz, Nuno Nunes de: Dennis Potter encenação: Beatriz Batarda








6 de abril de 2011

Haniel Long escreveu: «Muito do que é melhor em nós está ligado no nosso amor pela família, que continua a ser a medida de nossa estabilidade porque mede o nosso sentimento de lealdade

31 de março de 2011

Descartes

Para Descartes, o sujeito "é uma coisa que pensa, quer dizer, que duvida, que afirma, que nega, que conhece poucas coisas, que ignora muitas, que quer, que não quer, que também imagina e que sente".

30 de março de 2011

Obra de Camilo em leilão no Porto

«Está a decorrer no Porto um leilão com obras de Camilo Castelo Branco. Os livros fazem parte de uma biblioteca particular com cerca de dois mil títulos que está à venda até ao próximo sábado, no salão nobre da Junta de Freguesia do Bonfim. Apesar de o leilão decorrer até ao próximo sábado, os lotes relativos à obra camiliana começaram a ser vendidos esta terça-feira, ficando alguns disponíveis ainda para a sessão desta quarta-feira, marcada para as 21 horas. Pela sua raridade, títulos como "Horas de lucta" e "A infanta capellista" serão dos mais cobiçados na iniciativa, promovida pela Livraria Manuel Ferreira. Chegando quase aos 300 livros, a biblioteca camiliana destaca-se neste leilão de quase duas mil obras. A colecção pertence aos herdeiros de José de Sá Monteiro de Frias, destacada figura de Sintra que foi cliente da Livraria Manuel Ferreira durante mais de 40 anos. (...) Herculano Ferreira, responsável pelo leilão, refere que o mundo de Camilo é muito peculiar, sublinhando que o romancista "tem um lugar ímpar entre todos, no mundo da bibliofilia". Não só pela obra extensa que deixou, mas também por os seus livros serem de "produção rústica", com capas muito frágeis. Esse facto levava os proprietários a encadernar os livros, para melhor os preservarem. "Hoje em dia, é raro encontrar o original, com a capa de brochura", diz, a propósito. A isso podemos somar as edições raras e tiragens pequenas, também usuais no autor. Referindo que "ninguém tem uma biblioteca camiliana completa", aquele responsável reconhece, no entanto, que "há um conhecimento à volta de Camilo muito apurado". E o coleccionismo não pára de surpreender o livreiro, que conhece um exemplar das poesias "A Laura Geordano" em seda. Além das duas obras atrás referidas, vão a leilão nesta quarta-feira, também de Camilo, títulos como "Memorias do carcere", que escreveu sobre o tempo passado na cadeia da Relação, ou o opúsculo "Maria! Não me mates, que sou tua mãi!". (...)
Base de licitação mais elevada

O título que tem a base de licitação mais elevada é "Horas de lucta", no valor de 1500 euros. É uma das mais raras, cobiçadas e valiosas peças de toda a bibliografia camiliana. Só se imprimiram 32 exemplares, sendo este lote em particular o que foi dedicado a Ana Plácido, que viria a ser mulher de Camilo.
Com uma base de licitação de 1000 euros parte para leilão o lote correspondente ao livro "A infanta capellista", uma primeira edição que vai, por certo, merecer também renhida disputa entre os coleccionadores que se apresentem na Junta de Freguesia do Bonfim. http://www.jn.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=1818834&page=1

29 de março de 2011

Man On Wire

"Homem no Arame" é um olhar à ousada mas ilegal proeza de Philippe Petit efectuada em 1974... a sua corajosa mas perigosa passagem a pé sob um arame suspenso no ar, a 410 metros de altura, entre as Torres Gémeas do World Trade Center de Nova Iorque. Acontecimento esse que alguns consideraram ter sido "O Crime Artístico do Século".

24 de março de 2011

O professor primário

«O meu pai era tecelão, a minha mãe ocupava-se da casa e dos campos com os meus avós.
Sempre considerei a profissão de professor a mais bela das profissões. Certamente a influência da minha família foi preponderante nesta escolha: 1º, porque os meus pais eram pouco instruídos (e os meus avós analfabetos), falavam-me sempre dos benefícios da instrução [...]; 2º, tal como os meus pais, considerava invejável a profissão de professor, porque o ordenado era seguro e me parecia suficiente, enquanto na nossa casa debatíamo-nos com poucos ganhos; 3º, ainda, pensava sobretudo na dureza dos trabalhos rurais no Verão, no meu pai puxando sem descanso a lançadeira num canto da cavalariça, a tecer os panos, de tal modo que passei a considerar o professor um privilegiado e a sua profissão pouco fatigante (mudei de opinião depois!).»
Testemunho citado em J. Ozouf, 1993 - Nous, Les Maîtres d'École, Paris, Gallimard