«O mundo é feito de pontos. São muitos se forem pontos de vista. Poucos se forem pontos estratégicos. Muito húmidos se forem pontos de chuva. O mais gostoso é ponto de encontro, mas às vezes desencontra. Ou pontos de luz, um homem e uma mulher nus. Todos são pontos. O caminho entre dois uma reta. Uma linha. Um caminho que caminha sozinho. Fim da linha. Ou do fio. Fio da meada é na conversa. Conversas são feitas de pontos de enfoque. O palco também. Amores são pontos em comum. Os pontos são um.»
Estrela Ruiz Leminski (Curitiba, 1981) é escritora e compositora brasileira, filha dos poetas Paulo Leminski e Alice Ruiz. Formada em Música pela Faculdade de Artes do Paraná. Em 2004 lançou seu primeiro livro, Cupido, cuspido, escarrado, incluindo seus poemas feitos na infância e adolescência. Em 2009 participou da antologia "XXI poetas de hoje em dia(nte) e antologia dos poetas "Anos 2000" da editora Global. Em 2011 lançou o livro "Poesiaénão".
26 de abril de 2011
23 de abril de 2011
16 de abril de 2011
15 de abril de 2011
Trocas
Tinha uma amiga com quem queria ter dormido. A
amiga tinha outro amigo com quem dormiu depois
de saber que ele queria dormir com ela. Disse-lhe
depois que se não tivesse sabido que ele queria
dormir com ela teria dormido com ele sem dormir
com o outro. Mas o outro, que sabia que ela não
queria dormir com ele, dormiu com ela para que
ela percebesse que era melhor dormir com ele do
que dormir com o amigo. O amigo é que deixou
de ser amigo dele porque não gostou que a amiga
o tivesse preferido a ele. A amiga dos dois, por
fim, convenceu-os a não se zangaram por ela ter
dormido com o que não gostava dela, e acabou a
pedir ao primeiro que dormisse com ela para não
ficar triste. Mas o amigo não quis, porque já tinha
feito as pazes com o que dormira com ela, e não
queria que tudo voltasse ao princípio. E foi assim
que a amiga se zangou com o que queria ter dormido
com ela por ele não querer dormir com ela só
porque ela tinha dormido com o outro depois de
saber que o outro já tinha dormido com ela, e ele não.
Nuno Júdice
amiga tinha outro amigo com quem dormiu depois
de saber que ele queria dormir com ela. Disse-lhe
depois que se não tivesse sabido que ele queria
dormir com ela teria dormido com ele sem dormir
com o outro. Mas o outro, que sabia que ela não
queria dormir com ele, dormiu com ela para que
ela percebesse que era melhor dormir com ele do
que dormir com o amigo. O amigo é que deixou
de ser amigo dele porque não gostou que a amiga
o tivesse preferido a ele. A amiga dos dois, por
fim, convenceu-os a não se zangaram por ela ter
dormido com o que não gostava dela, e acabou a
pedir ao primeiro que dormisse com ela para não
ficar triste. Mas o amigo não quis, porque já tinha
feito as pazes com o que dormira com ela, e não
queria que tudo voltasse ao princípio. E foi assim
que a amiga se zangou com o que queria ter dormido
com ela por ele não querer dormir com ela só
porque ela tinha dormido com o outro depois de
saber que o outro já tinha dormido com ela, e ele não.
Nuno Júdice
13 de abril de 2011
12 de abril de 2011
9 de abril de 2011
noite de Teatro - 8 de Abril
Azul Longe nas Colinas, no TeCA com: Albano Jerónimo, Bruno Nogueira, Dinarte Branco, Elsa Oliveira, Leonor Salgueiro, Luísa Cruz, Nuno Nunes de: Dennis Potter encenação: Beatriz Batarda
6 de abril de 2011
1 de abril de 2011
31 de março de 2011
Descartes
Para Descartes, o sujeito "é uma coisa que pensa, quer dizer, que duvida, que afirma, que nega, que conhece poucas coisas, que ignora muitas, que quer, que não quer, que também imagina e que sente".
30 de março de 2011
Obra de Camilo em leilão no Porto
«Está a decorrer no Porto um leilão com obras de Camilo Castelo Branco. Os livros fazem parte de uma biblioteca particular com cerca de dois mil títulos que está à venda até ao próximo sábado, no salão nobre da Junta de Freguesia do Bonfim. Apesar de o leilão decorrer até ao próximo sábado, os lotes relativos à obra camiliana começaram a ser vendidos esta terça-feira, ficando alguns disponíveis ainda para a sessão desta quarta-feira, marcada para as 21 horas. Pela sua raridade, títulos como "Horas de lucta" e "A infanta capellista" serão dos mais cobiçados na iniciativa, promovida pela Livraria Manuel Ferreira. Chegando quase aos 300 livros, a biblioteca camiliana destaca-se neste leilão de quase duas mil obras. A colecção pertence aos herdeiros de José de Sá Monteiro de Frias, destacada figura de Sintra que foi cliente da Livraria Manuel Ferreira durante mais de 40 anos. (...) Herculano Ferreira, responsável pelo leilão, refere que o mundo de Camilo é muito peculiar, sublinhando que o romancista "tem um lugar ímpar entre todos, no mundo da bibliofilia". Não só pela obra extensa que deixou, mas também por os seus livros serem de "produção rústica", com capas muito frágeis. Esse facto levava os proprietários a encadernar os livros, para melhor os preservarem. "Hoje em dia, é raro encontrar o original, com a capa de brochura", diz, a propósito. A isso podemos somar as edições raras e tiragens pequenas, também usuais no autor. Referindo que "ninguém tem uma biblioteca camiliana completa", aquele responsável reconhece, no entanto, que "há um conhecimento à volta de Camilo muito apurado". E o coleccionismo não pára de surpreender o livreiro, que conhece um exemplar das poesias "A Laura Geordano" em seda. Além das duas obras atrás referidas, vão a leilão nesta quarta-feira, também de Camilo, títulos como "Memorias do carcere", que escreveu sobre o tempo passado na cadeia da Relação, ou o opúsculo "Maria! Não me mates, que sou tua mãi!". (...)
Base de licitação mais elevada
O título que tem a base de licitação mais elevada é "Horas de lucta", no valor de 1500 euros. É uma das mais raras, cobiçadas e valiosas peças de toda a bibliografia camiliana. Só se imprimiram 32 exemplares, sendo este lote em particular o que foi dedicado a Ana Plácido, que viria a ser mulher de Camilo. Com uma base de licitação de 1000 euros parte para leilão o lote correspondente ao livro "A infanta capellista", uma primeira edição que vai, por certo, merecer também renhida disputa entre os coleccionadores que se apresentem na Junta de Freguesia do Bonfim. http://www.jn.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=1818834&page=1
Base de licitação mais elevada
O título que tem a base de licitação mais elevada é "Horas de lucta", no valor de 1500 euros. É uma das mais raras, cobiçadas e valiosas peças de toda a bibliografia camiliana. Só se imprimiram 32 exemplares, sendo este lote em particular o que foi dedicado a Ana Plácido, que viria a ser mulher de Camilo. Com uma base de licitação de 1000 euros parte para leilão o lote correspondente ao livro "A infanta capellista", uma primeira edição que vai, por certo, merecer também renhida disputa entre os coleccionadores que se apresentem na Junta de Freguesia do Bonfim. http://www.jn.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=1818834&page=1
29 de março de 2011
Man On Wire
24 de março de 2011
O professor primário
«O meu pai era tecelão, a minha mãe ocupava-se da casa e dos campos com os meus avós.
Sempre considerei a profissão de professor a mais bela das profissões. Certamente a influência da minha família foi preponderante nesta escolha: 1º, porque os meus pais eram pouco instruídos (e os meus avós analfabetos), falavam-me sempre dos benefícios da instrução [...]; 2º, tal como os meus pais, considerava invejável a profissão de professor, porque o ordenado era seguro e me parecia suficiente, enquanto na nossa casa debatíamo-nos com poucos ganhos; 3º, ainda, pensava sobretudo na dureza dos trabalhos rurais no Verão, no meu pai puxando sem descanso a lançadeira num canto da cavalariça, a tecer os panos, de tal modo que passei a considerar o professor um privilegiado e a sua profissão pouco fatigante (mudei de opinião depois!).»
Testemunho citado em J. Ozouf, 1993 - Nous, Les Maîtres d'École, Paris, Gallimard
Sempre considerei a profissão de professor a mais bela das profissões. Certamente a influência da minha família foi preponderante nesta escolha: 1º, porque os meus pais eram pouco instruídos (e os meus avós analfabetos), falavam-me sempre dos benefícios da instrução [...]; 2º, tal como os meus pais, considerava invejável a profissão de professor, porque o ordenado era seguro e me parecia suficiente, enquanto na nossa casa debatíamo-nos com poucos ganhos; 3º, ainda, pensava sobretudo na dureza dos trabalhos rurais no Verão, no meu pai puxando sem descanso a lançadeira num canto da cavalariça, a tecer os panos, de tal modo que passei a considerar o professor um privilegiado e a sua profissão pouco fatigante (mudei de opinião depois!).»
Testemunho citado em J. Ozouf, 1993 - Nous, Les Maîtres d'École, Paris, Gallimard
22 de março de 2011
Carta (Esboço)
Lembro-me agora que tenho de marcar um
encontro contigo, num sítio em que ambos
nos possamos falar, de facto, sem que nenhuma
das ocorrências da vida venha
interferir no que temos para nos dizer. Muitas
vezes me lembrei de que esse sítio podia
ser, até, um lugar sem nada de especial,
como um canto de café, em frente de um espelho
que poderia servir de pretexto
para reflectir a alma, a impressão da tarde,
o último estertor do dia antes de nos despedirmos,
quando é preciso encontrar uma fórmula que
disfarce o que, afinal, não conseguimos dizer. É
que o amor nem sempre é uma palavra de uso,
aquela que permite a passagem à comunicação ;
mais exacta de dois seres, a não ser que nos fale,
de súbito, o sentido da despedida, e que cada um de nós
leve, consigo, o outro, deixando atrás de si o próprio
ser, como se uma troca de almas fosse possível
neste mundo. Então, é natural que voltes atrás e
me peças: «Vem comigo!», e devo dizer-te que muitas
vezes pensei em fazer isso mesmo, mas era tarde,
isto é, a porta tinha-se fechado até outro
dia, que é aquele que acaba por nunca chegar, e então
as palavras caem no vazio, como se nunca tivessem
sido pensadas. No entanto, ao escrever-te para marcar
um encontro contigo, sei que é irremediável o que temos
para dizer um ao outro: a confissão mais exacta, que
é também a mais absurda, de um sentimento; e, por
trás disso, a certeza de que o mundo há-de ser outro no dia
seguinte, como se o amor, de facto, pudesse mudar as cores
do céu, do mar, da terra, e do próprio dia em que nos vamos
encontrar, que há-de ser um dia azul, de verão, em que
o vento poderá soprar do norte, como se fosse daí
que viessem, nesta altura, as coisas mais precisas,
que são as nossas: o verde das folhas e o amarelo
das pétalas, o vermelho do sol e o branco dos muros.
Nuno Júdice, in “Poesia Reunida”
Escritor, poeta e ensaísta português, natural de Mexilhoeira Grande, Portimão.
encontro contigo, num sítio em que ambos
nos possamos falar, de facto, sem que nenhuma
das ocorrências da vida venha
interferir no que temos para nos dizer. Muitas
vezes me lembrei de que esse sítio podia
ser, até, um lugar sem nada de especial,
como um canto de café, em frente de um espelho
que poderia servir de pretexto
para reflectir a alma, a impressão da tarde,
o último estertor do dia antes de nos despedirmos,
quando é preciso encontrar uma fórmula que
disfarce o que, afinal, não conseguimos dizer. É
que o amor nem sempre é uma palavra de uso,
aquela que permite a passagem à comunicação ;
mais exacta de dois seres, a não ser que nos fale,
de súbito, o sentido da despedida, e que cada um de nós
leve, consigo, o outro, deixando atrás de si o próprio
ser, como se uma troca de almas fosse possível
neste mundo. Então, é natural que voltes atrás e
me peças: «Vem comigo!», e devo dizer-te que muitas
vezes pensei em fazer isso mesmo, mas era tarde,
isto é, a porta tinha-se fechado até outro
dia, que é aquele que acaba por nunca chegar, e então
as palavras caem no vazio, como se nunca tivessem
sido pensadas. No entanto, ao escrever-te para marcar
um encontro contigo, sei que é irremediável o que temos
para dizer um ao outro: a confissão mais exacta, que
é também a mais absurda, de um sentimento; e, por
trás disso, a certeza de que o mundo há-de ser outro no dia
seguinte, como se o amor, de facto, pudesse mudar as cores
do céu, do mar, da terra, e do próprio dia em que nos vamos
encontrar, que há-de ser um dia azul, de verão, em que
o vento poderá soprar do norte, como se fosse daí
que viessem, nesta altura, as coisas mais precisas,
que são as nossas: o verde das folhas e o amarelo
das pétalas, o vermelho do sol e o branco dos muros.
Nuno Júdice, in “Poesia Reunida”
Escritor, poeta e ensaísta português, natural de Mexilhoeira Grande, Portimão.
21 de março de 2011
Dia Mundial da Poesia
«Ela canta, pobre ceifeira,
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anónima viuvez,
Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.
Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz há o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões p'ra cantar que a vida.
Ah, canta, canta sem razão!
O que em mim sente 'stá pensando.
Derrama o meu coração
A tua incerteza voz ondeando!
Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência
Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!»
Fernando Pessoa
E ainda:
- Dia Mundial da Árvore/Floresta;
- Primavera.
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anónima viuvez,
Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.
Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz há o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões p'ra cantar que a vida.
Ah, canta, canta sem razão!
O que em mim sente 'stá pensando.
Derrama o meu coração
A tua incerteza voz ondeando!
Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência
Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!»
Fernando Pessoa
E ainda:
- Dia Mundial da Árvore/Floresta;
- Primavera.
19 de março de 2011
Almada Negreiros
Biografia
Almada Negreiros nasceu em São Tomé e Principie a 7 de Abril de 1893.
Foi um dos fundadores da revista Orpheu em 1915, onde conviveu com Fernando Pessoa.
O pai de Almada inscreveu-o no Colégio de Campolide, onde estudou de 1900 a 1910.
Em 1911 passou ainda pelo liceu de Coimbra e só em 1912 ingressa na Escola Nacional de Belas Artes, em Lisboa. Vai distinguir-se, essencialmente, pela caricatura.
Em 1919, insatisfeito com os seus estudos em Portugal, foi para Paris estudar pintura e onde apreende novidades plásticas e literárias. Viveu em Espanha entre 1927 e 1932.
Além da Literatura e da Pintura a óleo, Almada desenvolveu ainda composições coreográficas para ballet.
Ele trabalhou em tapeçaria, gravura, pintura mural, caricatura, mosaico, azulejo e vitral.
As suas obras mais conhecidas são: Saltimbancos, K4 O Quadrado Azul, A Engomadeira, A Invenção do Dia Claro e Nome de Guerra. Escreveu ainda textos doutrinários, peças de teatro e organizou conferências.
Almada Negreiros, morreu em 14 de Junho de 1970, de falha cardíaca, no mesmo quarto do Hospital de São Luís dos Franceses, onde também tinha morrido Fernando Pessoa.
Características da sua Arte
Almada Negreiros tinha duas orientações de busca e criação, que foram a beleza e a sabedoria. Para ele a beleza não podia ser ignorante e idiota, assim como a beleza não podia ser feia e triste.
Ele foi praticante de uma arte elaborada que prevêem de uma aprendizagem que não acaba nas escolas de arte. Almada teve como tema principal o número, a geometria e os seus significados.
Ele revela-se um neopitagórico, sendo este o seu lado a fonte mais profunda da sua inspiração e criatividade.
Pintura
A pintura de Almada Negreiros é hoje unanimemente reconhecida como o verdadeiro símbolo da arte moderna portuguesa. O génio e a obra de Almada foram fruto de uma evolução influenciada quer pelos movimentos contemporâneos quer pelo contacto com a arte e sabedoria ancestrais.
Almada Negreiros pintou variadas obras em óleo sobre tela, mas os mais famosos são sem dúvida, os que se encontram na Colecção Permanente do Centro de Arte Moderna e na Fundação Calouste Gulbenkian.
(http://www.eccn.edu.pt/alunos/joanaq_elisa/almada_negreiros.htm)
A Flor
Pede-se a uma criança: Desenhe uma flor! Dá-se
-lhe papel e lápis. A criança vai sentar-se no outro
canto da sala onde não há mais ninguém.
Passado algum tempo o papel está cheio de
linhas. Umas numa direcção , outras noutras;
umas mais carregadas, outras mais leves; umas
mais fáceis, outras mais custosas. A criança quis
tanta força em certas linhas que o papel quase que
não resistiu.
Outras eram tão delicadas que apenas o peso do
lápis já era de mais.
Depois a criança vem mostrar essas linhas às
pessoas: uma flor!
As pessoas não acham parecidas estas linhas com
as de uma flor!
Contudo, a palavra flor andou por dentro da
criança, da cabeça para o coração e do coração
para a cabeça, à procura das linhas com que se faz
uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas
linhas, ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos
seus lugares, mas são aquelas as linhas com que
Deus faz uma flor!
Almada Negreiros
Almada Negreiros nasceu em São Tomé e Principie a 7 de Abril de 1893.
Foi um dos fundadores da revista Orpheu em 1915, onde conviveu com Fernando Pessoa.
O pai de Almada inscreveu-o no Colégio de Campolide, onde estudou de 1900 a 1910.
Em 1911 passou ainda pelo liceu de Coimbra e só em 1912 ingressa na Escola Nacional de Belas Artes, em Lisboa. Vai distinguir-se, essencialmente, pela caricatura.
Em 1919, insatisfeito com os seus estudos em Portugal, foi para Paris estudar pintura e onde apreende novidades plásticas e literárias. Viveu em Espanha entre 1927 e 1932.
Além da Literatura e da Pintura a óleo, Almada desenvolveu ainda composições coreográficas para ballet.
Ele trabalhou em tapeçaria, gravura, pintura mural, caricatura, mosaico, azulejo e vitral.
As suas obras mais conhecidas são: Saltimbancos, K4 O Quadrado Azul, A Engomadeira, A Invenção do Dia Claro e Nome de Guerra. Escreveu ainda textos doutrinários, peças de teatro e organizou conferências.
Almada Negreiros, morreu em 14 de Junho de 1970, de falha cardíaca, no mesmo quarto do Hospital de São Luís dos Franceses, onde também tinha morrido Fernando Pessoa.
Características da sua Arte
Almada Negreiros tinha duas orientações de busca e criação, que foram a beleza e a sabedoria. Para ele a beleza não podia ser ignorante e idiota, assim como a beleza não podia ser feia e triste.
Ele foi praticante de uma arte elaborada que prevêem de uma aprendizagem que não acaba nas escolas de arte. Almada teve como tema principal o número, a geometria e os seus significados.
Ele revela-se um neopitagórico, sendo este o seu lado a fonte mais profunda da sua inspiração e criatividade.
Pintura
A pintura de Almada Negreiros é hoje unanimemente reconhecida como o verdadeiro símbolo da arte moderna portuguesa. O génio e a obra de Almada foram fruto de uma evolução influenciada quer pelos movimentos contemporâneos quer pelo contacto com a arte e sabedoria ancestrais.
Almada Negreiros pintou variadas obras em óleo sobre tela, mas os mais famosos são sem dúvida, os que se encontram na Colecção Permanente do Centro de Arte Moderna e na Fundação Calouste Gulbenkian.
(http://www.eccn.edu.pt/alunos/joanaq_elisa/almada_negreiros.htm)
A Flor
Pede-se a uma criança: Desenhe uma flor! Dá-se
-lhe papel e lápis. A criança vai sentar-se no outro
canto da sala onde não há mais ninguém.
Passado algum tempo o papel está cheio de
linhas. Umas numa direcção , outras noutras;
umas mais carregadas, outras mais leves; umas
mais fáceis, outras mais custosas. A criança quis
tanta força em certas linhas que o papel quase que
não resistiu.
Outras eram tão delicadas que apenas o peso do
lápis já era de mais.
Depois a criança vem mostrar essas linhas às
pessoas: uma flor!
As pessoas não acham parecidas estas linhas com
as de uma flor!
Contudo, a palavra flor andou por dentro da
criança, da cabeça para o coração e do coração
para a cabeça, à procura das linhas com que se faz
uma flor, e a criança pôs no papel algumas dessas
linhas, ou todas. Talvez as tivesse posto fora dos
seus lugares, mas são aquelas as linhas com que
Deus faz uma flor!
Almada Negreiros
18 de março de 2011
Mais uma vez, TNSJ
Exactamente Antunes
“Nós não somos do século de inventar as palavras. As palavras já foram inventadas. Nós somos do século de inventar outra vez as palavras que já foram inventadas.” Com Exactamente Antunes, é como se Jacinto Lucas Pires – concitado por Nuno Carinhas – respondesse ao apelo de Almada Negreiros, desencaminhando-lhe Nome de Guerra para a cena. Obra de uma prodigiosa frescura e ingenuidade, o romance instala-nos no percurso (ou carrossel) iniciático de Antunes, provinciano sacudido pelos acasos da sorte na grande cidade, que, entre o clube nocturno e o quarto de hotel, acumula a experiência bastante para concluir que… nenhum saber resulta da acumulação de experiência. Partilhando com Almada o prazer dos paradoxos e a lúdica reinvenção da linguagem, Jacinto Lucas Pires explora a teatralidade que informa este “espectáculo de um homem em luta livre consigo mesmo”, ora pirandellizando-o – por lá irrompe, em futurista fato-macaco, o Autor em busca da sua personagem –, ora brechtianizando-o, ao projectar em cena títulos de capítulos e outras sentenças, irónicas e desconcertantes. Nuno Carinhas assume, enquanto cenógrafo e figurinista, o papel de tridimensionar esta “obra-prima de desenho”, como lhe chamou David Mourão-Ferreira. A encenação, partilha-a com Cristina Carvalhal, num gesto de celebração do génio de Almada, para quem o teatro é “o escaparate de todas as artes”.
de
Jacinto Lucas Pires
a partir de
"Nome de Guerra", de Almada Negreiros
encenação
Cristina Carvalhal, Nuno Carinhas
cenografia e figurinos
Nuno Carinhas
desenho de luz
Nuno Meira
desenho de som
Francisco Leal
preparação vocal e elocução
João Henriques
interpretação
Joana Carvalho, João Castro, Jorge Mota, José Eduardo Silva, Lígia Roque, Mané Carvalho, Paulo Freixinho, Paulo Moura Lopes
produção
TNSJ
classificação etária
M/12 anos
“Nós não somos do século de inventar as palavras. As palavras já foram inventadas. Nós somos do século de inventar outra vez as palavras que já foram inventadas.” Com Exactamente Antunes, é como se Jacinto Lucas Pires – concitado por Nuno Carinhas – respondesse ao apelo de Almada Negreiros, desencaminhando-lhe Nome de Guerra para a cena. Obra de uma prodigiosa frescura e ingenuidade, o romance instala-nos no percurso (ou carrossel) iniciático de Antunes, provinciano sacudido pelos acasos da sorte na grande cidade, que, entre o clube nocturno e o quarto de hotel, acumula a experiência bastante para concluir que… nenhum saber resulta da acumulação de experiência. Partilhando com Almada o prazer dos paradoxos e a lúdica reinvenção da linguagem, Jacinto Lucas Pires explora a teatralidade que informa este “espectáculo de um homem em luta livre consigo mesmo”, ora pirandellizando-o – por lá irrompe, em futurista fato-macaco, o Autor em busca da sua personagem –, ora brechtianizando-o, ao projectar em cena títulos de capítulos e outras sentenças, irónicas e desconcertantes. Nuno Carinhas assume, enquanto cenógrafo e figurinista, o papel de tridimensionar esta “obra-prima de desenho”, como lhe chamou David Mourão-Ferreira. A encenação, partilha-a com Cristina Carvalhal, num gesto de celebração do génio de Almada, para quem o teatro é “o escaparate de todas as artes”.
de
Jacinto Lucas Pires
a partir de
"Nome de Guerra", de Almada Negreiros
encenação
Cristina Carvalhal, Nuno Carinhas
cenografia e figurinos
Nuno Carinhas
desenho de luz
Nuno Meira
desenho de som
Francisco Leal
preparação vocal e elocução
João Henriques
interpretação
Joana Carvalho, João Castro, Jorge Mota, José Eduardo Silva, Lígia Roque, Mané Carvalho, Paulo Freixinho, Paulo Moura Lopes
produção
TNSJ
classificação etária
M/12 anos
13 de março de 2011
11 de março de 2011
5 de março de 2011
2 de março de 2011
«Nunca acreditei que a liberdade do homem consiste em não fazer o que quer, mas sim em nunca fazer o que não quer, e foi essa liberdade que sempre reclamei, que muitas vezes conservei, e me tornou mais escandaloso aos olhos dos meus contemporâneos. Porque eles, activos, inquietos, ambiciosos, detestando a liberdade nos outros e não a querendo para si próprios, desde que por vezes façam a sua vontade, ou melhor, desde que dominem a de outrem, obrigam-se durante toda a sua vida a fazer o que lhes repugna, e não descuram todo e qualquer servilismo que lhes permita dominar.»
Jean-Jacques Rousseau, in 'Os Devaneios do Caminhante Solitário'
«Viver é não saber que se vive»
Florbela Espanca
Jean-Jacques Rousseau, in 'Os Devaneios do Caminhante Solitário'
«Viver é não saber que se vive»
Florbela Espanca
21 de fevereiro de 2011
19 de fevereiro de 2011
18 de fevereiro de 2011
17 de fevereiro de 2011
14 de fevereiro de 2011
O dia
"Passa o dia contigo
Não deixes que te desviem
Um poema emerge tão jovem tão antigo
que nem sabes desde quando em ti vivia"
Sophia de Mello Breyner Andresen
Não deixes que te desviem
Um poema emerge tão jovem tão antigo
que nem sabes desde quando em ti vivia"
Sophia de Mello Breyner Andresen
13 de fevereiro de 2011
9 de fevereiro de 2011
Frei Luís de Sousa
"Maria (abrindo a mão e deixando-as cair no regaço da mãe) - Murchou tudo... tudo estragado da calma... Estas são papoulas que fazem dormir; colhi-as para as meter debaixo do meu cabeçal esta noite; quero-a dormir de um sono, não quero sonhar, que me faz ver cousas... lindas às vezes, mas tão extraordinárias e confusas...
Madalena - Sonhar, sonhas tu acordada, filha! Que, olha, Maria, imaginar é sonhar, e Deus pôs-nos neste mundo para velar e trabalhar, com o pensamento sempre n'ele, sim, mas sem nos estranharmos a estas cousas da vida que nos cercam, a estas necessidades que nos impõe o estado, a condição em que nascemos. Vês tu, Maria, tu és a nossa única filha, todas as esperanças de teu pai são em ti (...)"
Madalena - Sonhar, sonhas tu acordada, filha! Que, olha, Maria, imaginar é sonhar, e Deus pôs-nos neste mundo para velar e trabalhar, com o pensamento sempre n'ele, sim, mas sem nos estranharmos a estas cousas da vida que nos cercam, a estas necessidades que nos impõe o estado, a condição em que nascemos. Vês tu, Maria, tu és a nossa única filha, todas as esperanças de teu pai são em ti (...)"
Amor de Perdição
Cara menina Coração:
Desde os meus quinze anos que prometi o meu coração a um rapaz meu vizinho. Amo e sou amada por ele, contudo as nossas famílias estão desavindas. O meu pai não me compreende e quer que eu me case com meu primo Baltazar. Diz-me ele que com o tempo vou amá-lo. O meu pai até me disse: « minha querida filha, que a violência dum pai é sempre amor. ». Ontem, meu querido pai disse-me:
« - Hás de casar! - Quero que cases! Quero!... Quando não, amaldiçoada serás para sempre, Teresa! Morrerás num convento! Esta casa irá para teu primo! Nenhum infame há de aqui pôr pé nas alcatifas de meus avós. Se és uma alma vil, não me pertences, não és minha filha, não podes herdar apelidos honrosos, que foram pela primeira vez insultados pelo pai desse miserável que tu amas! Maldita sejas! Entra nesse quarto, e espera que daí te arranquem para outro, onde não verás um raio de Sol.»
Cara menina Paixão, o que devo fazer?
Teresa
- Como se fosse escrito na época em que decorre:
Olá menina Teresa, estou aqui para te ajudar nesse teu momento difícil de escolha.
Sei que deves estar confusa, mas aconselho-te a seguir o que o teu pai disse. Sabes que se não fizeres isso terás as piores consequências.
É melhor esqueceres a tua paixão pelo Simão, e aceitares a ideia de te casares com o teu primo Baltazar. Ele dar-te-á felicidade e a paz que precisas. Podes pensar o contrário mas daqui a algum tempo vais dar-me razão.
És muito nova para estares a entrar em batalhas com o teu pai, tens de compreender que os homens mandam sempre em nós, pois eles nasceram com esse poder. Não te esqueças que o Simão é da família inimiga, por isso irias prejudicar a tua família perante a sociedade, lembra-te que tens uma reputação a manter. Sabes o que as pessoas do povo iriam falar? De ti, da tua história de amor com o Simão e isso não pode acontecer, sabes que o teu pai não ia gostar.
Espero que não tomes as decisões erradas e que me contes o que vais decidir, pensa no que te disse.
Beijinhos, Menina Coração
- Como se fosse escrito nos dias de hoje:
Olá Teresa, que notícias tão más que me estás a contar…
Deves estar numa situação complicada, pois estás entre dois amores, o Simão e o teu pai. Sabes que respeito muita a relação com os nossos parentes, pois eles deram-nos toda a nossa educação, toda a nosso vida é por eles. Mas, estás a chegar à situação em precisas de “voar”, como todas as jovens passam por isso. Aconselho-te a falar com o teu pai, para ele perceber que tu é que escolhes o teu verdadeiro amor, que não é pelo teu primo Baltasar. Fala sobre o Simão, fala como ele é bom para contigo, diz que a história da família inimiga já passou, já foi há muito tempo e este acontecimento pode originar um novo começo de paz entre as famílias.
Se o teu pai não ceder, acho que deves ir por outro caminho, o mais dificil. Tenta arranjar um voo barato para um país longe com o Simão, sim, estou a dizer para fugires de casa e recomeçares a tua vida noutro sítio, depois podes regressar e podes ter um pai mais calmo e que tenha percebido que a tua cara metade é o Simão.
Não faças nada que te arrependas no futuro e nunca te esqueças que tu é que comandas a tua vida, as pessoas que estão à tua volta, só te amparam quando estás a precisar de uma ajuda, como é a minha função.
Beijinhos, Menina Coração
(trabalho para a disciplina: Literatura Portuguesa)
Desde os meus quinze anos que prometi o meu coração a um rapaz meu vizinho. Amo e sou amada por ele, contudo as nossas famílias estão desavindas. O meu pai não me compreende e quer que eu me case com meu primo Baltazar. Diz-me ele que com o tempo vou amá-lo. O meu pai até me disse: « minha querida filha, que a violência dum pai é sempre amor. ». Ontem, meu querido pai disse-me:
« - Hás de casar! - Quero que cases! Quero!... Quando não, amaldiçoada serás para sempre, Teresa! Morrerás num convento! Esta casa irá para teu primo! Nenhum infame há de aqui pôr pé nas alcatifas de meus avós. Se és uma alma vil, não me pertences, não és minha filha, não podes herdar apelidos honrosos, que foram pela primeira vez insultados pelo pai desse miserável que tu amas! Maldita sejas! Entra nesse quarto, e espera que daí te arranquem para outro, onde não verás um raio de Sol.»
Cara menina Paixão, o que devo fazer?
Teresa
- Como se fosse escrito na época em que decorre:
Olá menina Teresa, estou aqui para te ajudar nesse teu momento difícil de escolha.
Sei que deves estar confusa, mas aconselho-te a seguir o que o teu pai disse. Sabes que se não fizeres isso terás as piores consequências.
É melhor esqueceres a tua paixão pelo Simão, e aceitares a ideia de te casares com o teu primo Baltazar. Ele dar-te-á felicidade e a paz que precisas. Podes pensar o contrário mas daqui a algum tempo vais dar-me razão.
És muito nova para estares a entrar em batalhas com o teu pai, tens de compreender que os homens mandam sempre em nós, pois eles nasceram com esse poder. Não te esqueças que o Simão é da família inimiga, por isso irias prejudicar a tua família perante a sociedade, lembra-te que tens uma reputação a manter. Sabes o que as pessoas do povo iriam falar? De ti, da tua história de amor com o Simão e isso não pode acontecer, sabes que o teu pai não ia gostar.
Espero que não tomes as decisões erradas e que me contes o que vais decidir, pensa no que te disse.
Beijinhos, Menina Coração
- Como se fosse escrito nos dias de hoje:
Olá Teresa, que notícias tão más que me estás a contar…
Deves estar numa situação complicada, pois estás entre dois amores, o Simão e o teu pai. Sabes que respeito muita a relação com os nossos parentes, pois eles deram-nos toda a nossa educação, toda a nosso vida é por eles. Mas, estás a chegar à situação em precisas de “voar”, como todas as jovens passam por isso. Aconselho-te a falar com o teu pai, para ele perceber que tu é que escolhes o teu verdadeiro amor, que não é pelo teu primo Baltasar. Fala sobre o Simão, fala como ele é bom para contigo, diz que a história da família inimiga já passou, já foi há muito tempo e este acontecimento pode originar um novo começo de paz entre as famílias.
Se o teu pai não ceder, acho que deves ir por outro caminho, o mais dificil. Tenta arranjar um voo barato para um país longe com o Simão, sim, estou a dizer para fugires de casa e recomeçares a tua vida noutro sítio, depois podes regressar e podes ter um pai mais calmo e que tenha percebido que a tua cara metade é o Simão.
Não faças nada que te arrependas no futuro e nunca te esqueças que tu é que comandas a tua vida, as pessoas que estão à tua volta, só te amparam quando estás a precisar de uma ajuda, como é a minha função.
Beijinhos, Menina Coração
(trabalho para a disciplina: Literatura Portuguesa)
3 de fevereiro de 2011
Nos dias tristes...
Nos dias tristes não se fala de aves.
Liga-se aos amigos e eles não estão
e depois pede-se lume na rua
como quem pede um coração
novinho em folha.
Nos dias tristes é Inverno
e anda-se ao frio de cigarro na mão
a queimar o vento e diz-se
- bom dia!
às pessoas que passam
depois de já terem passado
e de não termos reparado nisso.
Nos dias tristes fala-se sozinho
e há sempre uma ave que pousa
no cimo das coisas
em vez de nos pousar no coração
e não fala connosco.
(Filipa Leal, in "A Cidade Líquida e Outras Texturas"/ Deriva Editores)
Liga-se aos amigos e eles não estão
e depois pede-se lume na rua
como quem pede um coração
novinho em folha.
Nos dias tristes é Inverno
e anda-se ao frio de cigarro na mão
a queimar o vento e diz-se
- bom dia!
às pessoas que passam
depois de já terem passado
e de não termos reparado nisso.
Nos dias tristes fala-se sozinho
e há sempre uma ave que pousa
no cimo das coisas
em vez de nos pousar no coração
e não fala connosco.
(Filipa Leal, in "A Cidade Líquida e Outras Texturas"/ Deriva Editores)
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